quinta-feira, 8 de abril de 2010

Espelho refratado

Eu sou a pétala que resiste a se despedaçar em tuas mãos

A gota de orvalho que dança nas folhas secas do teu passado

O cheiro da tua terra árida que se molha de chuva

E teu pensamento que desperta uma nostalgia acre-doce


Eu sou a palavra suave que perpassa teus horizontes intransponíveis

A lágrima áspera que expressa a saudade do que se foi

O silêncio amargo que empalidece o teu quarto vazio

E as paredes que emudecem os teus sentimentos não correspondidos


Eu sou a ponte alicerçada no universo das tuas experiências

A lembrança eufônica que afaga teu coração conspícuo

A fonte que alimenta a esperança do teu amor antigo

E os devaneios cor de rosa que florescem da tua dor


Eu sou a margem que delineia a travessia das tuas formas de sentir

A tranparência da água que reflete o teu desejo de reencontro

A introspecção das tuas vivências dolorosas e arrebatadoras

E a saída do labirinto imaterial que tenta te absorver


Eu sou o teu espelho refratado

Aquele que incide e propaga as cores da tua aquarela

[...]

(Thays Coelho)

Um comentário:

  1. Maravilhoso, e vc ainda com medo de me mostrar por causa de críticas...
    Muito bom mesmo, parabéns...

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