sexta-feira, 8 de junho de 2012

Cheia de esperanças... Lá estava ela de novo. Plantando suas sementes em um terreno desconhecido, apostando com convicção que dessa vez seria vitoriosa. A coragem de encarar o desconhecido a fazia crer que a felicidade estava por vir. Apesar de, às vezes, a insegurança tentar tomá-la, ela não deixava absorvê-la, porque sabia que se não tentasse, se não vivesse, jamais saberia se estava certa. Sempre fora assim. E sempre as pessoas tentavam avisá-la para ir com cuidado. Mas ela só sabia viver intensamente. O que podia fazer? Entregava-se sem temores. Vivia tudo como queria. Não tinha medo do futuro, mesmo porque sabia que era incerto. E saber disso fazia com que ela aproveitasse muito mais a vida, muito mais as pessoas e, certamente, muito mais as paixões. Ah, sim as paixões! Essas eram sempre arrebatadoras. Porque não tinha medo de encará-las. Porque não tinha medo de assumi-las. E, o mais importante, porque não tinha medo de sofrê-las. Sofrimentos que lhe arrancavam lágrimas, que deixavam marcas, que tentavam derrubá-la. Tiravam-lhe noites de sono, proporcionavam-lhe olhares cansados e roubavam-lhe sorrisos. Mas ela não se importava, porque passavam e a deixavam mais forte. Sofrimentos os quais ela escolhia dar o nome de experiências. E assim ia descobrindo várias formas de amor e de amar...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Espelho refratado

Eu sou a pétala que resiste a se despedaçar em tuas mãos

A gota de orvalho que dança nas folhas secas do teu passado

O cheiro da tua terra árida que se molha de chuva

E teu pensamento que desperta uma nostalgia acre-doce


Eu sou a palavra suave que perpassa teus horizontes intransponíveis

A lágrima áspera que expressa a saudade do que se foi

O silêncio amargo que empalidece o teu quarto vazio

E as paredes que emudecem os teus sentimentos não correspondidos


Eu sou a ponte alicerçada no universo das tuas experiências

A lembrança eufônica que afaga teu coração conspícuo

A fonte que alimenta a esperança do teu amor antigo

E os devaneios cor de rosa que florescem da tua dor


Eu sou a margem que delineia a travessia das tuas formas de sentir

A tranparência da água que reflete o teu desejo de reencontro

A introspecção das tuas vivências dolorosas e arrebatadoras

E a saída do labirinto imaterial que tenta te absorver


Eu sou o teu espelho refratado

Aquele que incide e propaga as cores da tua aquarela

[...]

(Thays Coelho)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Regressão

Rabisquei no papel linhas turvas

E no pensamento palavras torpes...

Rebusquei sentimentos efêmeros

E na alma segredos insanos...

Retirei do passado nuvens plúmbeas

E no coração resquícios de nostalgia...

Reconheci a simplcidade de um amor desguarnecido

E na volubilidade das águas sonhos intermitentes...

Revivi um sentimento distraído

E no amanhecer um surrealismo trascedente...

(Thays Coelho)

Opostos

Como emoção e intelecto

Carpe diem e o culto ao amanhã

Subjetividade e concretismo

Nós somos...

Rosa e carvão

Borboleta e labirinto

Chumbo e algodão doce

Abstracionismo e realidade

Espinhos e pétalas

Sinestesias e sonetos

Misticismo perfeito

Paradoxos transfigurados

(Thays Coelho)